Um momento privilegiado de bom teatro.
Inteligente e original, peça é um exemplo da nova dramaturgia
Bárbara Heliodora
Arena bem aproveitada
A encenação é despojada, deixando o campo livre para os atores. A cenografia de Aurora dos Campos é mínima e funcional, os figurinos de Antônio Medeiros se encaixam bem no espírito do texto, a luz de Tomás Ribas, firme na colaboração com a agilidade da ação, e a direção musical de Rodrigo Marçal também está em boa sintonia com o todo. A direção, compartilhada pelo autor Felipe Rocha e por Alex Cassal, tem toda a agilidade que o texto requer e aproveita o espaço da arena com bastante eficiência. O elenco, formado por Felipe Rocha, Renato Linhares e Stella Rabello, consegue sustentar o ar de improvisação, ou até mesmo de brincadeira, em um trabalho que sem dúvida foi cuidadosamente detalhado, com destaque para a fluência com que passam de um personagem a outro, mudando função, sexo e idade sem qualquer hesitação ou demora. “Ninguém falou que seria fácil” é um momento privilegiado de teatro e razão para comemorações quando se fala da nova dramaturgia brasileira.
O Globo | Segundo Caderno – 15 de abril de 2011